Dunara
Vista ampla de dunas cobertas de estorno, com pinheiros-mansos dispersos e o Atlântico ao fundo, em luz dourada rasante.

Medido e depois publicado

Nove números, e quais deles são metas

Um resort sobre uma duna no Alentejo tem duas condicionantes duras: a água em julho e a areia que se move. Tudo nesta página é um desses dois problemas, o equipamento que lhe responde e o contador que diz se a resposta funcionou.

Duna em recuperação
11,4 ha
Produção própria
756 kWp
Rega com água reciclada
41%
Primeiro ano completo de relato
2026

O método

Contado, não afirmado

2026 é o primeiro ano civil em que a herdade esteve toda aberta. Estes são os seus números.

Todos os números abaixo saem de um contador, de um talão de pesagem, de uma guia de remessa ou de um levantamento, e cada um diz de onde vem. Quando um número é uma meta e não uma leitura, está escrito meta. Essa distinção é a única coisa que torna o resto da página digno de leitura.

Dois números já são incómodos e estão impressos de qualquer maneira: os resíduos desviados de aterro, que ficaram em 71% contra uma meta de 85%, e a parte do terreno plantado que continua a ser regada. Ambos estão no conjunto publicado, com as contas por trás.

O conjunto é publicado em março de cada ano, relativo ao ano civil anterior. A Fase 3 acrescenta quatro villas em 2027 e a Fase 4 acrescenta vinte e quatro casas até 2028, pelo que os números por hóspede vão mexer e a série corrigida vai mostrá-lo, em vez de mudar a base em silêncio.

214 l
de água captada por dormida, em 2026
56%
da eletricidade consumida veio das nossas próprias coberturas
11.4 ha
de duna replantada à mão desde 2023
68%
dos produtos, em peso, de menos de 60 km
Um espelho de água pouco profundo, de fundo preto, num pátio estucado, com a colunata refletida na água parada.

Água

Dois furos, e todo o resto usado duas vezes

Aqui não há água da rede. Dois furos, perfurados até 112 metros em agosto e outubro de 2023, abastecem toda a herdade; a captação é contabilizada e reportada mensalmente, e a herdade captou 58 400 m³ em 2026. Dividido pelas unidades ocupadas, dá 214 litros por dormida, contra uma meta de 180 até 2028.

As águas cinzentas das 88 unidades e do spa são tratadas numa estação atrás do talude de terra e devolvidas à rega — 31 200 m³ em 2026, que cobriram 41% do que a plantação bebeu. A água de contralavagem das piscinas não é descarregada: decanta, é filtrada e segue para o mesmo anel de rega, somando 2 100 m³ por ano. A água da chuva de 1 900 m² de pavimento corre para um depósito de 340 m³ e contribui com cerca de 1 100 m³.

Os nove planos de água têm 2 155 m³ em 1 715 m² de superfície, e essa superfície evapora cerca de 7 900 m³ por ano nesta costa. As coberturas térmicas da piscina de natação e da piscina das crianças são colocadas entre as 23:00 e as 07:00 e recuperam cerca de 2 200 m³ desse total — a maior poupança de água da herdade, feita com duas coberturas e um temporizador.

Furos
2, até 112 m
Captado, 2026
58 400 m³
Águas cinzentas devolvidas
31 200 m³
Contralavagem recuperada
2 100 m³

Água, em funcionamento

O balanço hídrico

MedidaValorFonte
Captação, 202658 400 m³Contadores dos furos, lidos mensalmente
Por dormida214 lCaptação dividida pelas unidades ocupadas
Águas cinzentas tratadas e reutilizadas31 200 m³Contador de água tratada na estação
Parte da rega feita com água reciclada41%Contadores do anel de rega
Contralavagem das piscinas recuperada2 100 m³ por anoContador do tanque de decantação
Água da chuva aproveitadacerca de 1 100 m³ por anoDepósito de 340 m³, registador de nível
Superfície e volume de água1 715 m² · 2 155 m³Telas finais
Evaporação dessa superfíciecerca de 7 900 m³ por anoContador de reposição, descontada a contralavagem
Poupado pelas coberturas noturnascerca de 2 200 m³ por anoContador de reposição, noites cobertas contra noites descobertas
Renovação da água das piscinas4 horasProjeto da casa das máquinas, verificado nos ensaios de receção
Janela de rega03:30–06:00, só gota a gotaRegisto do controlador, 22 estações
Água potável usada na própria duna0 litrosA recuperação é alimentada pela chuva, por opção de projeto
Terreno plantado retirado da rega6,2 de 9,1 haRegisto do controlador; uma zona sai depois do terceiro verão

A rega é noturna porque os gotejadores perdem uma fração mensurável do caudal para a evaporação no ar das tardes alentejanas, não por ser mais arrumado. As 22 estações são comandadas por sondas de humidade do solo, pelo que uma semana de chuva não custa nada a reconhecer.

Vapor a subir de uma piscina termal exterior para o ar frio da madrugada, com bordadura de pedra escura e uma parede estucada atrás.

Energia

O edifício faz a maior parte antes de as máquinas arrancarem

Os pavilhões assentam num eixo 28° a oeste do sul, que não é a orientação mais bonita e é a certa: o alpendre de 3,40 m sombreia toda a altura do vidro de 1 de maio a 12 de setembro, entre as 11:00 e as 17:00, e deixa o sol baixo de inverno entrar direito à laje do pavimento. Essa laje e as paredes de 300 mm dão um desfasamento térmico de cerca de 11 horas, pelo que um quarto leva o frescor da noite até meio da tarde.

As aberturas altas dos dois lados de cada pavilhão são comandadas pela gestão técnica do edifício entre as 23:00 e as 06:00, sempre que o ar exterior está 4 K abaixo do interior. Nos três meses até setembro de 2026, essa ventilação noturna fez o arrefecimento em 58 noites sem que os compressores trabalhassem uma única vez.

O que resta é elétrico. Quatro bombas de calor água-água no retorno dos furos dão 1 240 kW térmicos, com um COP medido de 4,6 no serviço das piscinas e 3,8 nas águas quentes sanitárias. A recuperação de calor nas 88 unidades trabalha a 86% de eficiência sensível e recuperou 318 MWh em 2026.

A produção são 1 644 painéis fotovoltaicos de 460 W — 756 kWp — no pátio de serviço e nas coberturas do estacionamento, com 1 200 kWh de armazenamento em baterias. Nada disto está sobre cobertura plantada: as coberturas são a razão por que a herdade não se vê do cordão dunar, e isso não estava à venda.

Central
756 kWp, 1 644 painéis
Armazenamento
1 200 kWh
Bombas de calor
1 240 kW, COP 4,6
Recuperação de calor
86% sensível

Energia, em funcionamento

De onde veio a eletricidade em 2026

MedidaValorFonte
Consumida pela herdade1 878 MWhContadores de entrada
Produzida no local1 164 MWhRegistos dos inversores
Produzida e consumida no local1 046 MWhInversores e contadores de entrada, compensados
Parte do consumo de produção própria56%1 046 de 1 878 MWh
Injetada na rede118 MWhContador de injeção
Meta de produção própria, 202875% (meta)Segunda central, 310 kWp sobre as coberturas das Fases 3 e 4
Central fotovoltaica756 kWp · 1 644 painéis de 460 WTelas finais
Baterias1 200 kWh, com descarga até 600 kWTelas finais
Bombas de calor4 unidades, 1 240 kW térmicosTelas finais
COP medido, serviço das piscinas4,6Contadores de calor e de eletricidade da casa das máquinas
COP medido, águas quentes sanitárias3,8Contadores de calor e de eletricidade da casa das máquinas
Calor recuperado pela ventilação318 MWhSensores nas condutas de ventilação, 88 unidades
Noites arrefecidas só com ventilação noturna58 de 92, julho–setembro de 2026Registo da gestão técnica
Temperatura de cor na herdade2 700 K, nada acima de 3 000 KMapa de iluminação
Iluminância na crista da duna, em lua nova0,4 luxMedição em três pontos fixos

Todas as instalações da herdade são elétricas, e é por isso que um só número — a parte de produção própria — responde por toda a questão do carbono, em vez de ser uma linha entre várias. A meta de 2028 depende de uma segunda central sobre as coberturas das Fases 3 e 4, que está licenciada e ainda não instalada.

Um caminho de areia entre pinheiros-mansos, luz salpicada no chão, estevas e rosmaninho nas margens.

A duna

Cinco quilómetros de terreno em movimento

O cordão dunar entre a herdade e o Atlântico tem cerca de 5 quilómetros, e 11,4 hectares dele caem dentro dos limites. É a única parte do terreno que está viva no sentido da engenharia: move-se, perde a crista numa tempestade de inverno e refaz-se se o estorno segurar.

Por isso a recuperação começou em novembro de 2023, antes do primeiro pavilhão, e é a única linha do programa de obra que passa além da última fase. Entraram 184 000 plantas de estorno à mão ao longo de cinco épocas, com 2 400 metros de paliçada de castanho em catorze alinhamentos, atravessados ao noroeste dominante para apanhar a areia e a segurar onde a crista quer estar.

Qualquer ida à praia passa por um de sete passadiços — 1 180 metros de tabuado, feito das mesmas tábuas de pinheiro-bravo que cofraram o betão. Dezoito transectos fixos são levantados duas vezes por ano; na média deles, a crista está 0,34 metros mais alta do que no primeiro levantamento, em 2023, contra uma meta de 0,60 metros até 2028.

Dos 1 900 pinheiros levantados antes de se traçar uma linha neste terreno, 1 889 estão hoje de pé; os onze retirados para o ramal de acesso estão no balcão do bar e na marcenaria da receção. Entraram 240 pinheiros novos para fechar o vazio de idades da mancha.

Duna dentro dos limites
11,4 ha
Estorno plantado
184 000
Paliçada
2 400 m
Ganho de crista desde 2023
0,34 m

Terreno e plantação

O que está a crescer, e de onde veio

MedidaValorFonte
Herdade47 haDescrição predial
Duna em recuperação11,4 haLevantamento topográfico
Pinhal mantido1 889 das 1 900 árvores levantadasLevantamento arbóreo de 2022, repetido em 2026
Pinheiros plantados240Registo de plantação
Pinheiros retirados11, para o ramal de acessoCumprimento de condição do licenciamento; transformados no balcão do bar e na marcenaria da receção
Estorno plantado à mão184 000 ao longo de cinco épocasRegisto de plantação
Paliçada de castanho2 400 m em 14 alinhamentosTelas finais
Passadiços até à praia7 passadiços · 1 180 m de tabuadoTelas finais
Cobertura plantada3 840 m², 11 espéciesTelas finais
Espécies em toda a herdade34, todas propagadas a menos de 60 kmGuias de remessa do viveiro
Arbustos plantados6 800 — esteva, alfazema, rosmaninho, zimbro, armeriaRegisto de plantação
Monitorização da duna18 transectos fixos, levantados duas vezes por anoProcesso de levantamentos, desde 2023
Cota da crista, média dos transectos0,34 m acima da referência de 2023Processo de levantamentos
Cota de crista pretendida, 20280,60 m acima da referência (meta)Programa de recuperação

O estorno planta-se à mão porque uma máquina compacta a areia que está a tentar fixar. Cinco épocas de doze pessoas com plantadores são toda a tecnologia, e são a razão por que a crista está mais alta do que quando chegámos.

Resíduos, em sete fluxos

Vidro, metal, papel e cartão, plásticos, orgânicos, óleo alimentar usado e resíduos volumosos ou de construção. Sete contentores atrás de cada cozinha e de cada posto de andares, pesados no pátio de serviço, com os talões de pesagem guardados, porque uma taxa de desvio que ninguém pode auditar é um slogan.

Em 2026, 71% dos resíduos da herdade foram desviados de aterro, contra uma meta de 85% até 2028. A diferença é quase toda plásticos mistos e a parte final da construção da Fase 3, e ambos estão nomeados no conjunto publicado em vez de diluídos numa média.

14,2 toneladas de resíduos alimentares foram compostadas na herdade e voltaram para a plantação. Saíram 3 100 litros de óleo alimentar usado para tratamento. A roupa de casa é mantida em onze graus de desgaste e reparada na herdade; 2,4 toneladas chegaram ao fim desse ciclo e foram cortadas para panos, em vez de substituídas em bloco.

Nos quartos não há garrafas de plástico de uso único, porque a água da herdade é tratada para beber e servida em vidro retornável, engarrafada na bancada da LUMAR — 36 200 litros em 2026, enchidos e lavados a 1,2 km de onde são servidos.

A comida, e a distância que percorreu

68% dos produtos, em peso, vieram de menos de 60 quilómetros em 2026, e 91% de Portugal. O número sai das guias de remessa e não de uma estimativa, e é por isso que é 68 e não 70.

O peixe compra-se às frotas de Sines e de Setúbal, entre dois e sete desembarques por semana conforme a ondulação, e as ementas do BRASA e do MIRANTE escrevem-se depois de o peixe chegar, não antes. Quando o Atlântico fecha por uma semana, a ementa diz isso mesmo.

A horta ocupa 0,8 hectares a norte da herdade, com 41 variedades, e abastece a mesa de mercado da A CASA de maio a outubro. A carne de vaca e a de cordeiro vêm de dois produtores alentejanos a menos de 40 quilómetros. Todo o pão, a pastelaria e o chocolate são feitos na sala do pão da LUMAR.

A garrafeira tem 640 referências, 402 delas portuguesas e 118 do Alentejo e da Península de Setúbal. É tanto uma decisão de abastecimento como uma lista: a cadeia mais curta do edifício é também a que o escanção pode fazer a pé.

O conjunto publicado

Nove números, em março de cada ano

A coluna de 2026 é medida. A de 2028 é uma meta e está assinalada como tal. Todos os números remontam a um contador, um talão, uma guia de remessa ou um levantamento nossos, e a quarta coluna diz qual — impressa com este detalhe para que se possa discutir.

Número2026, medido2028, metaComo é medido
Água captada por dormida214 l180 lContadores dos furos divididos pelas unidades ocupadas
Rega fornecida por água reciclada41%60%Contadores de água tratada e do anel de rega
Eletricidade consumida que a herdade produziu56%75%Registos dos inversores contra contadores de entrada
COP das bombas de calor no serviço das piscinas4,64,8Contadores de calor e de eletricidade da casa das máquinas
Resíduos desviados de aterro71%85%Talões de pesagem, sete fluxos
Produtos de menos de 60 km, em peso68%75%Guias de remessa, auditadas trimestralmente
Terreno plantado fora da rega6,2 de 9,1 ha9,1 de 9,1 haRegisto do controlador de rega
Crista da duna acima da referência de 20230,34 m0,60 m18 transectos fixos, levantados duas vezes por ano
Iluminância na crista da duna, em lua nova0,4 lux0,4 lux ou menosMedição em três pontos fixos

Publicado em março de cada ano, relativo ao ano civil anterior, com os anos anteriores corrigidos ao lado. 2026 é o primeiro ano completo com a herdade toda aberta; a Fase 3 acrescenta quatro villas em 2027 e a Fase 4 acrescenta vinte e quatro casas até 2028, e os números por hóspede vão mexer quando isso acontecer.

Vista alta de pavilhões baixos de cobertura plana entre pinheiros e dunas, com terraços de água no meio.

O processo de obra por trás de cada número desta página

Os furos, o anel de bombas de calor, os 410 mm de constituição da cobertura e o programa que pôs a recuperação da duna à frente do primeiro pavilhão estão todos publicados, com os ofícios que fizeram o trabalho creditados por especialidade.