Dunara
Um balcão de chef: uma longa laje de pedra clara com oito bancos de nogueira voltados para uma cozinha aberta em aço escovado e bronze, tachos de cobre suspensos, luz quente vinda de cima.

Restauração · MIRANTE

Oito pratos, um serviço por noite

Uma sala de 118 m² escavada na face interior do cordão dunar, com uma única janela de 11,8 m de largura e o peito a 600 mm, de modo que, sentado à mesa, se fica ao nível do estorno.

Lugares
34 + 8 ao balcão
Noites
Terça a sábado
Serviço
Único, 19:30
Por pessoa
165 €, indicativo

A sala

Um miradouro meio enterrado

Mirante promete altura, o que é um nome ligeiramente desonesto para uma sala onde se entra a descer seis degraus. A condição de licenciamento desta herdade não deixava erguer nada acima dos pinheiros, por isso a vista teve de ser ganha a baixar o piso em vez de subir a cobertura.

O resultado é um espaço único de 16,4 m de comprimento, com a duna ao nível do olhar e o Atlântico acima dela, lido como uma faixa de água no terço superior do vidro. A cobertura é plantada, pelo que, do caminho do cordão a vinte metros de distância, o restaurante é uma linha de erva e um brilho.

São 34 lugares em onze mesas e outros oito num balcão de pedra clara, a 2,4 m da bancada de empratamento. O pavimento é betão marcado pela cofragem, polido onde assentam as mesas e deixado rugoso nas margens; o teto é um ripado de pinho-bravo, que retira o som a uma sala com quarenta e duas pessoas dentro. Antes do serviço, nas mesas está apenas o linho, um copo e uma vela, porque oito pratos precisam do espaço.

Uma praia atlântica imensa e deserta vista do cimo de uma duna coberta de estorno à hora dourada, areia molhada a espelhar o céu, rebentação baixa, pinheiros moldados pelo vento ao longo do cordão.

Porque muda a carta

É a costa que a escreve, seis vezes por ano

Esta é uma costa de água fria, com uma estação curta e violenta e outra longa e constante. O mar em frente à herdade anda nos 15 °C de dezembro a abril e chega aos 19 °C em agosto, e esse facto só por si decide quase tudo o que esta cozinha pode fazer. Água fria significa peixe de crescimento lento e carne firme, marisco no seu melhor nos meses em que ninguém se banha, e uma janela de quatro semanas em pleno verão em que tudo chega ao mesmo tempo.

Por isso a carta é datada e reescrita seis vezes por ano, e não nas quatro estações habituais, porque esta costa não se divide em quatro. As reescritas chegam com a primeira grande ondulação de inverno, que é quando os percebes saem das rochas abaixo de Melides; com o choco em março; com o carapau em julho, já com gordura para curar; com a ceifa do arroz no Sado; com os pinhões em outubro; e uma última vez na quinzena calma antes do Natal.

Dentro de cada uma dessas seis cartas, o detalhe continua a mexer-se. O peixe compra-se de manhã em Sines e em Setúbal, conforme o que os barcos trouxeram, e a carta fica fechada às 16:00 para um serviço às 19:30. Se um prato desta página não estiver na carta na noite em que chegar, é porque não foi desembarcado.

  • Seis reescritas por ano; a carta em vigor leva a sua data
  • Peixe comprado na mesma manhã em Sines, 32 km a sul, e em Setúbal, 55 km a norte
  • Arroz dos arrozais do Sado, 18 km a norte da herdade
  • Pinhões dos pinheiros-mansos da herdade, varejados em outubro
  • Sal rapado nas salinas da Comporta, nesta mesma costa
Mar
15 °C no inverno, 19 °C em agosto
Reescritas
6 por ano

Os oito pratos

A carta como está em outubro, depois da colheita do pinhão. Uma só ementa para toda a sala; os oito vegetarianos abaixo são escritos ao mesmo tempo, com a mesma extensão e ao mesmo preço.

Como corre a noite

Os dados práticos, publicados para que nada no serviço seja uma surpresa.
Detalhe
NoitesDe terça a sábado. A cozinha está apagada ao domingo e à segunda, quando se colhe a horta e se faz o custeio da carta.
ServiçosUm. Portas às 19:15, todos sentados às 19:35, o primeiro prato sai da cozinha às 19:40.
DuraçãoCerca de três horas às mesas; mais perto de três e meia ao balcão, onde cada prato é explicado ao ser servido.
Lugares34 em onze mesas, mais 8 ao balcão. Quarenta e duas pessoas por noite, cinco noites por semana.
MesasDe duas a seis pessoas. O balcão é posto como oito lugares individuais e é o melhor sítio para quem janta sozinho.
Preço165 € por pessoa, indicativo. Harmonizações desde 48 €. Serviço incluído.
A ementaOito pratos e um doce com o café, uma só carta para a sala, mais oito vegetarianos da mesma extensão.
CriançasA partir dos 12 anos às mesas, a partir dos 16 ao balcão.
TrajeVestido para jantar. Linho e sandálias estão perfeitamente em casa.
ReservasAs mesas abrem com 90 dias de antecedência. Os hóspedes confirmam até às 12:00 do próprio dia; os restantes por email.

Como a sala só serve uma vez, um lugar devolvido depois das 15:00 já não volta a ser ocupado nessa noite. Avise-nos antes dessa hora e passa para o nome seguinte da lista.

Vista de cima de um lugar posto: linho creme espesso, grés torneado à mão com vidrados de areia e cinza, cutelaria de bronze envelhecido, um único raminho de rosmaninho.

O balcão

Oito lugares, a 2,4 m da bancada

O balcão é uma única laje de pedra clara, com 4,6 m de comprimento, oito bancos ao longo dela e a bancada de trabalho logo em frente. Não há biombo nem espetáculo: é simplesmente o lado da cozinha onde os pratos se acabam, e quem cozinhou um prato é quem o põe à mesa e diz o que é.

Serve os mesmos oito pratos ao mesmo preço da sala e demora cerca de vinte minutos mais, por causa da conversa. Dois dos oito lugares ficam guardados para hóspedes até às 17:00 do dia do serviço, que é a única preferência que esta sala dá a alguém.

  • 8 lugares, postos individualmente
  • Os mesmos oito pratos, os mesmos 165 €
  • Dois lugares guardados para hóspedes até às 17:00 do próprio dia
  • A partir dos 16 anos

Antes de vir

Uma sala de jantar antes do serviço: mesas redondas bem espaçadas sob linho creme espesso, cadeiras de nogueira, um teto de estuque em abóbada, todas as mesas postas e vazias.

Um serviço, 19:30, de terça a sábado

Quarenta e dois lugares por noite. Reserve com a estadia ou escreva-nos: dizemos com franqueza que noites estão livres.